Receita Federal pode declarar CNPJ inapto por omissão de obrigações acessórias

Mais de 2,6 milhões de contribuintes ainda possuem pendências fiscais e podem sofrer restrições cadastrais nos próximos meses.

A Receita Federal reforçou o alerta para contribuintes que permanecem omissos na entrega de obrigações acessórias e informou que milhares de empresas e MEIs podem ter o CNPJ declarado inapto nos próximos meses.

A medida decorre das intimações enviadas entre outubro e dezembro de 2025, período em que mais de 6 milhões de contribuintes foram comunicados sobre pendências relacionadas à entrega de declarações e escriturações fiscais.

Segundo a Receita Federal:

  • aproximadamente 3,4 milhões regularizaram a situação;
  • cerca de 2,6 milhões continuam com omissões após mais de 120 dias do envio das intimações.

Entre os possíveis impactados estão:

  • empresas do Simples Nacional;
  • microempreendedores individuais (MEIs);
  • pessoas jurídicas em geral.

A declaração de inaptidão ocorre quando há omissão, por período superior a 90 dias, na entrega de obrigações acessórias, conforme previsto na Instrução Normativa RFB nº 2.119/2022.

De acordo com o órgão, os atos declaratórios de inaptidão devem ser publicados ao longo dos meses de maio e junho de 2026.

Os contribuintes serão comunicados:

  • pela Caixa Postal do e-CAC;
  • e pela publicação do Ato Declaratório Executivo no site da Receita Federal.

Na prática, a inaptidão do CNPJ pode gerar consequências relevantes:

  • impedimento de emissão de notas fiscais;
  • dificuldades bancárias;
  • restrições cadastrais;
  • impossibilidade de obter certidões;
  • bloqueios operacionais.

A Receita Federal informou que ainda é possível evitar a inaptidão caso todas as omissões sejam regularizadas antes da publicação do ato declaratório.

A consulta das pendências pode ser realizada no serviço “Minhas Dívidas e Pendências”, disponível nos Serviços da Receita Federal.

O movimento reforça uma tendência clara do ambiente tributário brasileiro: o aumento da automação fiscal e do cruzamento eletrônico de dados.

Hoje, a ausência de entrega de obrigações acessórias deixou de ser apenas uma irregularidade operacional e passou a representar um risco direto para a continuidade regular das atividades empresariais.

Mais do que cumprir prazos, empresas precisam acompanhar ativamente sua situação fiscal para evitar restrições que podem impactar operações, crédito e relacionamento com fornecedores e clientes.